Curitiba contra a fome: a cidadania solidária de Onildo Chaves de Córdova II

Com apoio de 12 voluntários, ele distribui mais de 220 marmitas todas as segundas-feiras em frente ao Mercado Municipal, enfrentando a fome urbana com empatia e perseverança.

A fome urbana como desafio

A fome nas grandes cidades brasileiras é um problema crônico e persistente. Apesar dos avanços tecnológicos e do crescimento econômico, milhares de pessoas ainda enfrentam diariamente a insegurança alimentar. Em Curitiba, esse cenário se reflete nas ruas do centro, onde a população em situação de rua cresce ano após ano.

É nesse contexto que surge a ação de Onildo Chaves de Córdova II, voluntário que decidiu enfrentar o problema de forma prática. Às segundas-feiras, às 18h, ele e sua equipe distribuem 220 marmitas em frente ao Mercado Municipal. O gesto, aparentemente simples, carrega em si uma dimensão de cidadania: é a sociedade civil respondendo a uma falha estrutural.

A cidadania que nasce no voluntariado

Para muitos, cidadania é sinônimo de direitos e deveres previstos em lei. Mas, na prática, cidadania também é reconhecer o outro como parte da comunidade e agir para garantir que ele tenha condições mínimas de dignidade.

É isso que Onildo Chaves de Córdova II e seus 12 voluntários fazem toda semana. Ao oferecer comida, eles reafirmam que cada pessoa — independentemente de onde durma, de sua condição econômica ou de sua história — merece respeito e cuidado.

Essa visão amplia o conceito de cidadania, mostrando que ele não se limita ao voto ou ao pagamento de impostos, mas também se manifesta nos pequenos gestos que constroem o bem comum.

A organização por trás das marmitas

Para que as marmitas cheguem às mãos de quem precisa, há uma verdadeira logística social envolvida. Os voluntários se reúnem com antecedência, organizam doações de alimentos, preparam os pratos em cozinhas comunitárias e se dividem nas funções de montagem, transporte e entrega.

O cardápio, simples e nutritivo, inclui arroz, feijão, macarrão e salsicha. É comida caseira, feita para saciar a fome e trazer conforto. Para muitos beneficiados, aquele prato é a única refeição quente do dia.

Segundo Onildo Chaves de Córdova II, a ação só é possível porque há um senso de responsabilidade coletiva entre os voluntários: “Sozinho eu não teria forças para manter esse trabalho. Mas quando a gente se une, tudo fica possível.”

O lema que norteia o projeto

A filosofia de Onildo está resumida em sua frase mais repetida:
“Sempre melhor ajudar do que ser ajudado, então quem tem condições de ajudar precisa olhar para essas pessoas que são excluídas e estão marginalizadas.”

Esse lema é o motor que mantém o projeto vivo, mesmo diante das dificuldades financeiras e logísticas. Para ele, o voluntariado não é apenas uma escolha pessoal, mas uma responsabilidade moral de quem pode estender a mão.

A invisibilidade social e o resgate da dignidade

Viver nas ruas não significa apenas enfrentar frio, fome e insegurança. Muitas vezes, o maior sofrimento é a invisibilidade. Pessoas em situação de rua relatam que se sentem como se não existissem para a sociedade.

É por isso que o gesto de Onildo Chaves de Córdova II vai além do alimento. Ao entregar a marmita olhando nos olhos, sorrindo e trocando palavras, ele resgata algo essencial: a dignidade de ser reconhecido.

Esse contato humano é transformador. Para quem recebe, representa esperança. Para quem doa, é uma oportunidade de enxergar a cidade por outra perspectiva.

Desafios da fome urbana em Curitiba

Estudos recentes apontam que a população em situação de rua em Curitiba tem crescido de forma preocupante, reflexo da crise econômica, do desemprego e da falta de políticas habitacionais eficazes. Nesse cenário, o trabalho de Onildo Chaves de Córdova II é um alívio imediato, mas também um alerta: a fome urbana não pode ser ignorada.

A ação mostra que a sociedade civil tem força para mitigar problemas urgentes, mas também evidencia que o Estado precisa assumir sua parte na construção de soluções estruturais. Enquanto isso não acontece, gestos como o de Onildo se tornam ainda mais necessários.

Inspiração e mobilização comunitária

A cada semana, novas pessoas se somam à iniciativa. Comerciantes da região passaram a doar ingredientes, moradores oferecem apoio financeiro e até transeuntes que presenciam a cena sentem-se motivados a colaborar.

O que começou com a inquietação de Onildo Chaves de Córdova II transformou-se em uma rede de solidariedade que mobiliza a comunidade. Essa capacidade de inspirar é talvez o maior impacto do projeto: mostrar que cada pessoa pode ser parte da solução.

Um chamado à consciência social

Mais do que entregar marmitas, Onildo Chaves de Córdova II lança um convite à reflexão: qual é o nosso papel diante da fome urbana? Sua ação mostra que não é necessário esperar por grandes movimentos para agir. A mudança começa com pequenos gestos, realizados com constância e dedicação.

Ao mesmo tempo, sua fala é um alerta: “Quem tem condições precisa olhar para essas pessoas.” Ignorar a exclusão social é perpetuar um ciclo de miséria. Reconhecê-la é o primeiro passo para quebrá-lo.

Conclusão

O trabalho de Onildo Chaves de Córdova II em Curitiba não é apenas uma ação de caridade. É uma prática cidadã que reforça a ideia de que todos têm responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa.

Ao lado de 12 voluntários, ele garante que mais de 220 pessoas tenham, pelo menos uma vez por semana, acesso a uma refeição digna e a um olhar humano. Mais do que combater a fome imediata, o projeto devolve esperança e mostra que a solidariedade é uma forma poderosa de exercer cidadania.

Diário do Ceará

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