Aluno de Odontologia da FAMETRO conquista 1º lugar em seleção para projeto voltado a mulheres vítimas de violência

Acadêmico do 10º período de Odontologia da FAMETRO, Kédson Pimentel conquistou o 1º lugar em processo seletivo para atuar no projeto Sorria Ycamiabas, voltado à reabilitação oral de mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa já alcançou 180 pessoas, entre mulheres cis, mulheres trans e crianças, com 27 pacientes ainda em tratamento. O projeto será apresentado oficialmente no dia 24 de setembro e integra ações de cuidado, acolhimento e recuperação da autoestima.

17/09/2026 · Diário do Ceará
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Kédson Pimentel, do 10º período, integra iniciativa de reabilitação oral que já alcançou 180 mulheres e crianças da rede de proteção; 27 pacientes seguem em tratamento

MANAUS – O acadêmico Kédson Pimentel, do 10º período de Odontologia do Centro Universitário Fametro, conquistou o 1º lugar no processo seletivo para atuar no projeto “Sorria Ycamiabas: devolvendo o sorriso por meio da reabilitação oral a mulheres vítimas de violência doméstica”. Desenvolvida no âmbito da ESAP-SEMSA, a iniciativa será apresentada oficialmente no dia 24 de setembro, às 9h30, e integra ações voltadas à recuperação da saúde bucal, autoestima e qualidade de vida de mulheres atendidas pela rede de proteção.

Iniciado em julho de 2025, o projeto começou com atendimentos relacionados à Casa de Acolhimento Ycamiabas, em Manaus, que recebe temporariamente mulheres em situação de violência doméstica. Com a ampliação da iniciativa, o trabalho passou a alcançar também mulheres encaminhadas por outras secretarias, serviços e instituições que integram a rede de proteção.

Segundo a professora de Odontologia Kátia Felizardo, o projeto já alcançou 180 pessoas, entre 103 mulheres cis, 11 mulheres trans e 66 crianças e filhos das acolhidas. Desse total, 27 pacientes permanecem atualmente em tratamento odontológico.

Reabilitação que vai além da saúde bucal

O atendimento começa pela triagem odontológica, etapa em que são identificadas as necessidades de cada paciente. A partir dessa avaliação, podem ser indicados procedimentos como restaurações, extrações e outros cuidados básicos, além de encaminhamentos para serviços especializados quando necessário.

Os atendimentos diretos são realizados por equipes de mulheres capacitadas, enquanto os acadêmicos participantes acompanham diferentes etapas do processo e ampliam a formação sobre acolhimento, atenção à saúde e atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Os filhos das mulheres acolhidas também podem receber assistência odontológica quando houver necessidade.

Como a permanência na Casa Ycamiabas pode chegar a aproximadamente 90 dias, o tempo é um fator importante na organização do cuidado. A equipe busca realizar os procedimentos possíveis enquanto a paciente permanece vinculada ao serviço e garantir os encaminhamentos necessários para a continuidade do tratamento.

Primeiro lugar e uma nova experiência na formação

Classificado em 1º lugar no processo seletivo, Kédson Pimentel afirma que a participação no projeto tem ampliado sua compreensão sobre o papel do cirurgião-dentista para além dos procedimentos realizados em consultório.

“Está sendo uma experiência muito importante. Já tivemos algumas vivências e conseguimos perceber o quanto esse trabalho será enriquecedor. Vamos aprender muito sobre acolhimento, escuta e sobre nosso papel como futuros profissionais da saúde”, afirmou.

O acadêmico também destaca uma particularidade da composição do grupo: boa parte dos estudantes selecionados para acompanhar o projeto é formada por homens. Para ele, participar de uma iniciativa voltada a mulheres vítimas de violência doméstica também provoca reflexões sobre responsabilidade, comportamento e cuidado.

“Acho significativo termos homens participando de um projeto que trabalha diretamente com mulheres vítimas de violência doméstica. Isso também nos faz refletir sobre nosso papel enquanto homens e profissionais da saúde”, disse.

Violência pode deixar marcas na face e na autoestima

A relação entre Odontologia e violência doméstica aparece de forma direta em situações nas quais as agressões atingem a região da cabeça, face e boca, podendo comprometer dentes, tecidos e funções como a mastigação.

Para Kédson, compreender essa realidade mostra que a reabilitação oral pode representar mais do que a recuperação de uma função.

“Grande parte das agressões pode atingir a região da face e da cabeça, então existe uma relação muito forte com a nossa área. Perceber que a reabilitação oral também pode ajudar na autoestima e na qualidade de vida dessas mulheres amplia muito a nossa visão sobre a profissão”, relatou.

A atenção aos filhos também integra a proposta do projeto.

“Quando a mãe percebe que os filhos também estão recebendo atenção e cuidado, ela pode se sentir mais tranquila. Esse olhar para a família torna toda a experiência ainda mais acolhedora”, acrescentou.

Medo de retaliação é um dos desafios

Segundo a professora Kátia Felizardo, um dos principais desafios encontrados durante o acompanhamento é o receio de alguns pacientes em revelar as circunstâncias relacionadas aos traumas.

O medo de exposição ou de possíveis retaliações por parte do agressor pode dificultar o relato sobre a origem das lesões. Por isso, além do conhecimento técnico, o atendimento exige uma abordagem cuidadosa, respeito ao tempo de cada mulher e integração com os demais serviços da rede de proteção.

A apresentação oficial do projeto “Sorria Ycamiabas: devolvendo o sorriso por meio da reabilitação oral a mulheres vítimas de violência doméstica” será realizada no dia 24 de setembro, às 9h30, no âmbito da ESAP-SEMSA.