Parlamentares x Governo Lula: crise no IOF revela divisão com 383 votos a favor e 98 contra

Após a derrubada do aumento do IOF, petistas alertam para cortes de R$ 12 bilhões no orçamento da saúde e educação, afetando também R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. A base governista foi pega de surpresa.

Partidos com ministérios na gestão petista votaram em peso pela derrubada, mais uma vez. No Senado, a votação foi simbólica, sem a contagem individual dos senadores.

A decisão de votar o projeto para derrubar o aumento do IOF surpreendeu o governo. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esperavam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adiasse a análise do texto por mais uma semana. O líder do PT na casa, Lindbergh Farias (PT-RJ), ficou sabendo da decisão pelas redes sociais. A escolha do deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) como relator na Câmara, um dos mais bolsonaristas do PL, foi vista como provocação ao Planalto. Durante o dia, a base governista sentia que pouco poderia ser feito para evitar a derrota, principalmente porque a maioria dos deputados estava fora de Brasília, devido à sessão semipresencial e às festas juninas.

Os petistas alertam que, com a derrubada, um novo contingenciamento de R$ 12 bilhões no orçamento será necessário, com cortes na saúde e na educação. Deste total, estima-se que R$ 3 bilhões serão retirados de emendas parlamentares. A insatisfação dos parlamentares com o governo tem várias razões, sendo uma delas a tentativa do Executivo de colocar o Congresso como chantagista e vilão pelo possível aumento na conta de energia após a derrubada de vetos presidenciais relacionados ao marco das eólicas offshore.

Diário do Ceará

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